dúvida mata sonhos

“A dúvida mata mais sonhos do que fracassos podem matar.” Suzy Hassem

Esta curta frase carrega muita verdade a respeito do funcionamento de nossa psique. Porque, na prática, qualquer pessoa que deseja conquistar algo irá fracassar em alguma medida. O fracasso não é opcional para os que encaram os desafios da vida como oportunidades de crescimento. Os erros cometidos são parte integrante do processo de aprendizagem. Não existem rotas alternativas ou atalhos que nos isentem de lidar com as pequenas decepções que pavimentam esta via. Só não erram os que estão estacionados, pois já desistiram de lutar.

O que duvida de sua capacidade diante dos desafios é alguém que, em alguma medida, escolheu não se arriscar. Buscar este nível de preservação e anonimato, na maioria das vezes não é sinal de prudência e sim de medo. Pois, gostamos de mascarar nossos reais sentimentos em relação ao que nos intimida. A causa deste tipo de comportamento, pode  muito bem ser  o gosto amargo de alguma derrota recente, que ainda está muito presente em nosso paladar emocional. Por isso, evitamos tocar no assunto, ou avaliar a situação, como se a negação fosse a solução para o problema.

Conta-se de um piloto experiente, que treinava um novato que pretendia seguir carreira como aviador. Em suas primeiras horas de vôo ao lado do piloto, o calouro havia cometido pequenos erros, que foram naturalmente corrigidos ao longo do percurso e, por isso, não afetaram a confiança do rapaz. Mas, diante do erro grave cometido, que poderia ter custado a vida de ambos, o piloto experiente ordena uma aterrissagem, seguida de uma decolagem imediata.

Quando questionado pelo novato em relação ao motivo pelo qual haviam feito este procedimento, o sábio e experiente piloto explicou que: se desejasse ser bem-sucedido, jamais deveria permitir que o medo se instalasse de forma definitiva em suas emoções. O simples fato de terem feito uma decolagem imediata, minimizaria as chances do novato se intimidar diante daquela falha. Certamente, a dúvida ou insegurança poderiam comprometer seus planos de seguir carreira como aviador, se ele tão somente permitisse que aquela experiência o definisse.

Os vôos fracassados

À semelhança deste piloto novato, jamais seremos capazes de alçar voo se colecionarmos insegurança e medo oriundos de experiências negativas que vivemos. Seres humanos falham e cometem erros. Ninguém nasce sabendo, e só crescemos quando temos coragem de lidar de frente com o que nos limita. No entanto, a dúvida instalada abre portas para que outros invasores drenem nossa energia. Este tipo de experiência tem potencial de nos tirar da arena. Jogamos a toalha com muita rapidez e abandonamos sonhos diante da dúvida.

Nossa vida é um conjunto de escolhas que temos que ter coragem de fazer. Os mais ousados e seguros, certamente são os que temem menos o risco. Mas, eles também possuem limites que se sentem desafiados a superar. Não se trata de destacar perfis mais arrojados em detrimento ao de pessoas mais conservadoras. Cada um dentro de sua esfera de ação, precisa classificar corretamente o que é cautela e o que é medo de arriscar. Equilibrar estes dois componentes da equação é decisivo. Porque só temos uma vida para viver e só nós podemos vivê-la, ninguém mais.

Portanto, não temos opção de terceirizar esta tarefa, e não é sábio continuar se apoiando em desculpas que justifiquem nossa frustração. Os argumentos que usamos para explicar nossa estagnação, em geral apontam culpados. No entanto, o indicado seria assumir o protagonismo e a responsabilidade necessária para lidar com os eventuais desvios de rota. Afinal, o que se espera é que assumamos o manche da aeronave, ou o volante do automóvel, saindo do banco do carona, rompendo com a passividade. Existe um tempo apropriado para assistirmos as instruções e adquirirmos conhecimento, porém, é perigoso estender este tempo além do necessário.

“O insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar com mais inteligência. Há mais pessoas que desistem, do que pessoas que fracassam!” Henry Ford

Encontrando prazer na aventura

Cada um de nós deve possuir alvos e metas que deseja atingir a longo, médio e curto prazo. O estabelecimento de metas e o planejamento é recomendado e decisivo na maioria dos casos. No entanto, não devemos engessar este processo. É importante reservar muito espaço na agenda para os imprevistos e para que possamos estacionar e curtir a paisagem ao longo do caminho. Temos permissão e necessidade de apreciar o trajeto. Já que é durante a jornada da vida que a soma de experiências nos molda, transformando-nos em quem somos.

Nenhuma graduação ou especialização, por mais eficiente que seja, é capaz de agregar conhecimento como a experiência. As teorias, por mais fiéis e completas que sejam, são incapazes de prever percalços e considerar o fator humano que as executa. Porque nossa humanidade nos transforma em seres complexos e únicos. Nossas reações variam consideravelmente diante de situações aparentemente idênticas, pois as codificamos de formas distintas. Esta é uma beleza intrínseca de nossa individualidade, pois ninguém nos imita ou executa algo como nós.

Temos obrigação de descobrir o que nos preenche e completa. É nossa tarefa desvendar o quebra-cabeças da vida e conhecer os detalhes do desenho que estamos formando, com as peças que temos. Se levar menos a sério minimiza o impacto das derrotas e oportuniza um aprendizado menos dolorido. Quando se parte do princípio que o erro fará parte do processo, somos mais condescendentes conosco mesmos e com os demais. Não se espera que os que estão tentando não cometam erros; o que se espera é que não desistam. Não desistir e acreditar em si mesmo é o início de qualquer conquista.

“Todo aprendizado que adquiri, foi um problema que me ensinou.” T D Jakes