A vergonha nunca deveria ditar quem somos. Ela manifestou-se imediatamente após a queda do homem, no Éden, e continua infiltrada em nosso DNA. Suas raízes são sorrateiras e sufocam nossa identidade.

Li recentemente o livro unashamed (livre da vergonha), escrito por Christine Caine. Quem não conhece a trajetória desta mulher, recomendo que pesquisem a respeito. É dela a definição da diferença entre vergonha e culpa: “A vergonha ataca quem somos, a culpa o que fazemos”.

Enquanto a culpa aponta para algo errado que praticamos, a vergonha declara que somos um erro. Ambas precisam ser confrontadas, mas a vergonha precisa ser aniquilada. Ela nos aleija, destruindo nossa autoestima.

Decidindo sonhar

Inegavelmente, a vergonha reduz nossa capacidade de sonhar. O antídoto eficaz, contra as camadas de vergonha que distorcem nossa personalidade, é a exposição. Parece contraditório, mas é eficiente. Quando a vergonha é manifesta, ela perde seu principal trunfo: o anonimato. É ele o responsável pela potencialização de seus efeitos.

Enquanto mantivermos gavetas lacradas em nossa alma, a vergonha triunfa. À medida que decidimos expor o que nos escraviza, boa parte do processo de cura entra em curso. Contudo, a verdadeira cura e restauração destas áreas, só pode ser operada por Deus.

Nenhum ser humano tem poder de mudar-se a si mesmo, por mais que tente ou deseje. Mesmo bons profissionais na área da psiquiatria e psicologia, são impotentes diante de algumas distorções de nossa personalidade.

Sonhando com o futuro

A vergonha drena nossas forças. Limita nosso futuro de qualquer expectativa de sucesso, porque nos prende ao passado. Independentemente de onde esteja enraizada, ela só cessa de dar frutos, quando é extraída.

Os traumas, experiências negativas, ausência de palavras de afirmação e outras muitas lacunas, contribuem para solidificar a vergonha nas paredes de nosso coração. Lembro-me de fases de minha infância, que denunciavam as raízes da vergonha. Mesmo que, na fase adulta elas sejam menos perceptíveis, os frutos sinalizam sua existência.

Elas tinham várias ramificações, mas descobri que a necessidade de perdoar, em geral, é imperativa quando se deseja a cura. Nem sempre um único golpe é suficiente para remover a origem desta mancha em nossa alma.

Abandonando o passado

Viver livre da vergonha é lidar com o passado. É ser livre para começar de novo. É poder sonhar com um futuro brilhante, sabendo que nossos erros não nos definem. É perdoar os que erraram conosco. É liberar quem quer que seja da responsabilidade por nossos fracassos.

Por isso, persiga sua identidade. Não se contente com nada menos do que viver a plenitude, do que Deus sonhou para você. Assuma sua parcela de responsabilidade nesta equação. Certamente Deus fará a parte dEle. O resultado será positivo!

“Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza.” Sl. 139:14