Decepção finita

Devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita.” Martin Luther King

Esta curta frase de Martin Luther King contém uma verdade profunda. Com certa frequência permitimos que as perdas e derrotas finitas, subtraiam nossa esperança, que deveria ser infinita. Quando isso acontece, perdemos a motivação de prosseguir. Pois, se a esperança é roubada, o futuro torna-se sombrio e trágico.

O coração humano foi desenhado para alimentar-se de esperança. Ainda que ao longo da jornada ela seja golpeada por decepções e fracassos, o que desaparece a cada derrota, são coisas finitas. Mesmo a perda inesperada de um ente querido, deve ser superada, sob pena de estacionarmos na jornada.

Não é tarefa fácil lidar com a dor e os traumas oriundos destes momentos trágicos. Mas, quando nossa esperança está fundamentada no infinito, conseguimos nos reerguer. A vida é cheia destas estações desafiadoras, quando algumas coisas desabam e o chão é retirado de debaixo de nossos pés.

Lidando com perdas finitas

Toda espécie de perda tem potencial de se instalar como um trauma em nosso DNA. Lidar adequadamente com cada uma delas é atribuir-lhes o valor correto. Isto é, não valorizar em demasia o que não deveria definir quem somos. C. S. Lewis sabiamente afirmou:

“Tudo o que não é eterno, é eternamente inútil.” C. S. Lewis

Pode parecer simplista demais, mas a realidade é que apenas o que é eterno tem valor. A vida que escolhemos viver dará frutos eternos. Portanto, nosso alvo deve ser não permitir que o que é finito influencie o que é infinito. Equilibrar estes dois aspectos de nossa existência exige malabarismo sobrenatural.

Jesus coloca as coisas em perspectiva

Jesus é o único capaz de nos auxiliar a colocar as coisas em perspectiva correta. Ele valorizou o que era importante e desprezou o que era efêmero. Não buscou fama, aceitação e muito menos poder. Sua identidade sólida conduziu-O até a cruz, já que sempre soube que este lugar estava reservado para Ele.

Qualquer um que tente seguir Seus passos, sem cultivar um relacionamento com Ele, fracassa. Nossa natureza não suporta este nível de entrega. Já que somos desprovidos de doses suficientes de altruísmo. Fatalmente nossa alma gritará por aceitação e aplauso. Porque, infelizmente, extraímos nosso valor de circunstâncias finitas, que não conseguem sustentar nossa identidade.

O valor de cada ser humano não está no que ele faz ou tem, e sim, em quem ele é. Só temos real consciência de quem somos depois de ouvirmos isso da boca de nosso Criador. O encontro pessoal com Aquele que deu origem a nossa existência é a única fonte confiável de respostas. É essa voz que nos define.

A eternidade é parte de quem somos

A eternidade faz parte de nosso ser, ela é a engrenagem interna, a mola propulsora de nossa esperança. Por isso, a morte choca e as perdas nos desestruturam, já que, não fomos criados para elas. A continuidade e perpetuidade são perseguidas de forma instintiva por cada um de nós. Lamentavelmente, alguns acreditam ser possível conquistar este grau de estabilidade nesta ordem de coisas.

Certamente, os poucos anos de vida que temos, são o treinamento de nossos sentidos para vivermos o que é eterno. Quando valorizamos o que é passageiro, em detrimento ao que possui valor eterno, agimos como tolos. Cada fôlego de vida é uma dádiva, portanto, cada segundo de nossa existência tem valor infinito e não deve ser desperdiçado.

Deixar escorrer nossa vida pelo ralo do que é finito, é jogar fora a chance de moldar o infinito. Inegavelmente, alguns de nós serão mais desafiados do que outros. Mas, até a tentativa de medir-se em relação ao outro é inadequada. O primeiro passo a ser dado em direção a conquista do eterno é perceber-se como único. Ninguém pode terceirizar sua jornada, ou culpar quem quer que seja pela trajetória percorrida.

Portanto, temos hoje a chance de descartar de nossas emoções e memória o que deveria já estar no passado. Fundamentar nosso futuro em um alicerce finito, é desperdiçar energia. Todo passado não pode ser reparado, ele precisa ser devidamente enterrado, para que possamos focar no que ainda não vivemos. Aprender com os erros, sem repeti-los é sábio, ficar preso a eles nos paralisa.

“O futuro é algo que todos nós atingimos à velocidade de sessenta minutos por hora.” C.S. Lewis